Olá nerds leitores!

Vi esse lista no site Listverse e achei bem interessante.

Muitos livros tem um significado amplamente aceito mas outros nem tanto. Alguns críticos fazem teorias sobre romances clássicos um tanto… diferentes. Você pode até não concordar com elas mas você nunca mais irá ver esses livros com os mesmos olhos.

Apesar de ter no título “livros clássicos”, tem Harry Potter ai também rs Então vamos a lista!

10 – Mr. Darcy conseguiu sua fortuna através da escravidão

Dependendo da pessoa que você pergunte, Orgulho e Preconceito é o melhor romance já escrito ou um chick-lit do século 19. A única coisa que todos podem concordar é que Mr. Darcy é definitivamente um herói romântico: um homem arrojado e atraente que é incrivelmente rico e se sente inexplicavelmente atraído pela protagonista. Mas Darcy ainda pode esconder um segredo mais sombrio que suas admiradoras gostariam de admitir. Há teorias que sua riqueza tenha vindo diretamente de tráfico de escravos.

Existem apenas alguns meios realistas onde Darcy poderia conseguir sua renda de £10.000,00. O mais provável é o comércio de açúcar e mineração, duas profissões que contavam com a exploração e condições de trabalho horríveis. De acordo com a romancista Joanna Trollope, é historicamente provável que Darcy teria se envolvido com as plantações de açúcar do Caribe, então implicitamente ou explicitamente ele apoiava a escravidão.

Se a teoria parece muito fraca, há outro romance de Jane Austen que apoia isso. O rico Sir Thomas Bertram de Mansfield Park é retratado como um proprietário envergonhado de uma plantação e vários críticos modernos e importantes disseram que Jane Austen era uma abolicionista fervorosa.

9 – O Tigre Que Veio Tomar Chá é sobre o holocausto

Escrito por Judith Kerr, The Tiger Who Came to Tea (O Tigre Que Veio Tomar Chá em portugal, no Brasil esse livro não foi lançado) é um best-seller de história infantil sobre um tigre que vai a casa de uma pequena menina para tomar um chá. Enquanto isso, ele come toda a comida, bebe toda a água e desenha nas paredes. É um conto de empoderamento para crianças, que tem como ponta pé inicial ver o tigre fazer coisas que eles ficariam de castigo. A menos que uma teoria controversa esteja certa, nesse caso, a história é sobre o holocausto.

Filha de judeus intelectuais, Judith Kerr cresceu em um mundo pré Segunda Guerra Mundial em Berlim e teve uma experiência que moldou sua visão de mundo. Em 1932, seu pai foi colocado na lista de mortos da Gestapo e em 1933, seus livros foram queimados em uma reunião pública. Após a família fugir para a Grã-Betanha, seus pais conseguiram pílulas para se matar caso agentes nazistas conseguissem rastreá-los. Essa foi uma experiência tão poderosa que Kerr escreveu um livro sobre isso. De acordo com a autora infantil Michael Rosen, isso pode ter influenciado seu trabalho mais famoso.

Rosen afirma que o tigre simboliza os homens da Gestapo que tinham o direito de entrar nas casas dos judeus e fazer o que eles quisessem. Em outras palavras, o tigre é um “tigre brincalhão mas ele é um tigre” um símbolo de perigo. Entretanto essa teoria sofreu um duro golpe quando a própria Kerr a rejeitou publicamente.

8 – Frankenstein é sobre gravidez e o nascimento

Um poderoso conto sobre ciência, moralidade e cadáveres reanimados, Frankenstein de Mary Shelley continua popular ainda hoje. É geralmente lido como uma parábola sobre a perigosa busca de conhecimento do homem e a irresponsabilidade pelos seus atos. Mas tem a pequena chance de ter um significado mais mundano. Sugerem que Frankenstein é na verdade uma metáfora sobre o nascimento.

Em 1814, Mary Shelley com seus 16 anos fugiu com seu marido Percy. Oito meses depois, ela perdeu sua filha. Em 1815 ela escreveu a seguinte frase em seu diário:

Sonhei que meu pequeno bebê voltou à vida; que ele só estava congelado, e que nós esfregamos ele próximo ao fogo, e ele reviveu

Como fãs de terror nós sabemos que essa passagem é bem parecida com a cena da criação de Frankenstein. Considere também as palavras que Shelley usou para descrever o nascimento de seu monstro. A palavra “labor” (trabalho) é usada repetidamente e em outras partes se referem a “dias e noites incríveis de trabalho e fadiga” necessária para que Frankenstein ganhasse vida.
Até o desenvolvimento do monstro se parece com o de uma criança. Ao contrário da besta que fica gemendo nos filmes, a versão de Mary Shelley aprende a falar e agir como um homem só observando as outras pessoas.

Finalmente, a primeira vítima do monstro é uma pequena criança que tem exatamente o mesmo nome que seu filho morto.

7 – Jay Gatsby era negro

F. Scott Fitzgerald acabou brutalmente com o sonho americano. O Grande Gatsby conta a história de um multimilionário que esconde um segredo obscuro. Embora o texto seja vago, é geralmente entendido que Gatsby nasceu pobre e fez seu dinheiro através de contrabando. Nem todos concordam. De acordo com uma teoria, o segredo é que Jay Gatsby tenha nascido negro.

A teoria afirma que Fitzgerald encheu seu romance com mensagens escondidas que Gatsby está se passando por branco. O livro menciona especificamente seu corpo moreno e em uma cena um personagem sendo rude com ele disse “Nós somos todos brancos aqui”. Gatsby se associa com New Orleans e música jazz, duas coisas que indicavam ser negro na América na década de 20.

Os defensores dessa teoria pegam algumas coisas estranhas também. Em um ponto, os leitores veem que Gatsby tem 40 acres e isso é correspondente a “40 acres e uma mula” que foram prometidos aos escravos libertados.

6 – On The Road (Pé na Estrada) é uma propaganda para a igreja católica

Com jazz, drogas, carros legais e sexo casual, a maioria das pessoas consideram On The Road de Jack Kerouac a bíblia para a geração beat. Outros ainda o veem como uma celebração americana, um romance sobre a sexualidade masculina ou uma exploração aos valores dos trabalhadores. Muitos poucos o chamariam de romance religioso mas mesmo assim, há um grupo que fiz que esse é o livro mais abertamente católico já escrito.

A interpretação vem diretamente do próprio Kerouac. Criado em uma família católica, Kerouac afirma que a religião o influenciou em tudo que ele escrevia. Nesse ponto, ele descreveu On The Road como “A real história sobre dois amigos católicos percorrendo o país em busca de Deus”. Em outro momento, ele disse que tudo que ele escrevia era sobre Jesus.

Até o termo “beat” tem ligação com religião. Ao invés de ser sobre música, Kerouac frequentemente usava essa palavra como contração para “beatitude” (bem-aventurança) ou “beatific” (beatifico). Além disso, o personagem Dean Moriarty (baseado em Neal Cassady) pode representar Cristo. Longe de ser parte de uma contracultura legal, On The Road pode muito bem ser sobre uma jornada religiosa do homem .

5 – Dom Quixote é sobre o misticismo judaico

O primeiro romance moderno, Dom Quixote de Cervantes, conta a história de um cavaleiro enlouquecido que entra em uma série de aventuras. É uma história cômica muito simples mas algumas pessoas criaram algumas teorias. A maior delas é que Quixote é cheio de alusões ao misticismo judaico.

A teoria surgiu com a teoria que os ancestrais de Cervantes foram judeus forçados a entrar disfarçados na Espanha. Cervantes então incluiu referencia a isso em seu mais famoso romance, juntamente com vários temas judaicos. Adeptos dessa teoria afirma que o nome Quixote é derivado da palavra em aramaico “geshot” (certeza ou verdade), uma palavra que frequentemente aparece em textos cabalísticos. Eles também apontam que Dom Quixote deseja viver sua vida exatamente como é ditado para ele por livros, um ponto que bate com os desafios do judaísmo ortodoxo.

Estruturalmente, o romance de Cervantes é parecido com o Sêfer ha-Zohar, a pedra do misticismo judaico. Uns pensam que Dom Quixote queria realmente lembrar Zohar mas outros acham que é apenas coincidência.

4 – Babar é sobre as vantagens do colonialismo

O personagem francês infantil de 1931, Babar é um elefante selvagem que vê sua mãe levar um tiro, escapa para a cidade e aprende a agir como um humano. Então ele retorna a vida selvagem e se torna o rei dos elefantes. A menos que os críticos de esquerda estejam certos, esse é um caso de apologia aos horrores do colonialismo.

Entre aqueles que discutem sobre esse caso está o autor chileno Ariel Dorfman, que afirma que Babar é uma alegoria colonialista. Os elefantes representam os nativos selvagens da África que se tornaram humanos após o contato com a civilização francesa. Depois de Babar chegar a cidade, ele começa a andar sob duas pernas e usar roupas. Quando ele retorna a vida selvagem, ele rapidamente domina todos os outros elefantes e os força a agir como os franceses também. Na visão de Dorfman, toda a série de livros é sobre justificar os diretos dos franceses de dominar culturas nativas.

Outros concordam que os livros são sobre o colonialismo mas pensam que Dorfman não tem razão. De acordo com eles, Babar é uma sátira das ideias que Dorfman o acusa de celebrar.

3 – Harry Potter está condenado a imortalidade

Teorias malucas sobre Harry Potter é praticamente uma indústria caseira na internet. Qualquer coisa com tantos seguidores devotos gera especulações sem fim, então a série de J. K. Rolling tem sido interpretada de várias formas possíveis mas nem toda teoria é facilmente descartável. Algumas, como a teoria do Potter imortal, até daria uns livros a mais.

A teoria veio da linha a seguir sobre o destino de Harry e Voldemort:

… um terá de morrer às mãos do outro, pois nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver

Nos livros e no filme, isso é interpretado como “teremos uma batalha épica entre os dois personagens”. Mas alguns fãs criaram a teoria que isso significa que Harry e Voldemort são capazes de matar um ao outro. Com Voldemort morto no final do sétimo livro, isso significa que Harry não irá mais morrer. Ele se torna imortal.

No universo de Harry Potter, isso é uma boa ideia. Fantasmas existem, assim como a chance de viver após a morte cercado por seus entes queridos. Se Harry não pode morrer, ele jamais poderá se juntar aos seus amigos no próximo mundo. Ele irá envelhecer enquanto vive em uma crescente solidão. Ele fez seu último sacrifício matando Voldemort, um pouco mais adulto do que o final feliz que nós tivemos.

2 – Nas Montanhas da Loucura é sobre viver na cidade X viver no campo

Publicado pela primeira vez em 1936, Nas Montanhas da Loucura diz respeito a descoberta de uma antiga cidade habitada por aliens no coração da Antártida. Considerado o conto mais arrepiante de H. P. Lovecraft, é um exercício a paranoia e um grande terror alienígena. A teoria é que o conto seja sobre os perigos de morar na cidade.

Em 1927, Lovecraft leu e se apaixonou por O Declínio do Ocidente de Oswald Spengler. A ideia central desse livro é que a civilização humana irá entrar em colapso e se tornará degenerada quando todos se concentrarem em grandes cidades. Em algumas passagens, Spengler denúncia repetidamente a estrutura “não natural” das cidades. Lovecraft fez referencia a essa passagem na sua descrição sobre a casa dos aliens.

Quando os cientistas chegam na cidade alienígena, é descrito como feito de ângulos e formas desconhecidas aos humanos. Como as cidades de Spengler, ela suga tudo a sua volta e a água seca deixando apenas um grande deserto que fará a cidade entrar em colapso. Há até um momento quando dois personagens encontram antigos desenhos que parecem recontar O Declínio do Ocidente com monstros espaciais.

1 – Romances da Jane Austen são todos sobre a teoria dos jogos

Resumidamente, a teoria dos jogos é sobre avaliar as opções disponíveis para 2 ou mais pessoas e dar o valor de benefício esperado para cada escolha. Enquanto o benefício vem a custa de outras pessoas, a teoria dos jogos mostra que há escolhas com benefícios inesperados para todos os envolvidos.
A parte inteligente é mapear como você pode direcionar as pessoas a fazerem uma escolha que te beneficie tendo a certeza que isso é do melhor interesse dela em escolher. De acordo com um especialista, os personagens de Austen fazem isso com tanta frequência que poderiam qualificá-la como uma expert em teoria dos jogos.

Em Orgulho e Preconceito, Mrs. Bennett calcula o melhor tempo para enviar sua filha solteira a fazenda de um solteirão quando uma tempestade está se formando. Como resultado, sua filha fica presa a noite toda na casa do solteirão, resultando em um crescente romance. Em Mansfield Park, Fanny Price precisa pegar de volta uma faca com valor sentimental roubada por sua irmã de 5 anos. Ela calcula que a criança está mais interessada no objeto faca do que como um valor sentimental, então ela compra para a irmã uma nova faca e consegue pegar a sua antiga de volta. De acordo com o Michael Suk-Young Chwe da UCLA, esse é um exemplo perfeito de teoria dos jogos que ele usa para ensinar.
Vá olhar e você achará mais 50 exemplos parecidos nos 6 romances da Jane Austen.

Blogueira, booktuber e desenvolvedora de sistemas . Apaixonada por livros, séries, chocolate e coisinhas fofas.
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